MiCA na Prática: Barreiras, Segurança Jurídica e Oportunidades
Um ano de MiCA visto por Criptán, CECABANK e Crypto.com: mercado único europeu, desafios do processo de autorização, Travel Rule e DORA, e conselhos para se regular
30min · Gravação completa de 09/10/2025 em CAM Builders Stage. Também disponível no YouTube.
MiCA na prática: barreiras, segurança jurídica e oportunidades
Visão geral
Um ano após entrar em vigor, a MiCA é uma barreira ou a segurança jurídica de que o setor precisava? Neste painel da MERGE Madrid, três visões complementares —Criptán, CECABANK e Crypto.com— debatem a experiência real do regulamento europeu de criptoativos: o mercado único, os desafios do processo de autorização e o caminho de colaboração que ele abre.
O que você aprenderá
- Mercado único europeu: como a MiCA substitui os regimes nacionais dispersos por regras iguais e um passaporte para toda a UE
- Barreira ou segurança jurídica: por que a regulação traz confiança e adoção, mas também é uma barreira de entrada
- Tradicional vs nativo cripto: o contraste entre o músculo regulatório da banca e a agilidade de uma startup
- O processo de autorização: falar a linguagem do regulador, delimitar os serviços e apresentar a documentação completa
- Além da MiCA: Travel Rule, DORA, MiCA 2 e as pendências como o staking
- Convergência e colaboração: o efeito Bruxelas, a convergência regulatória global e as alianças entre entidades
Resumo da sessão
Dos remendos ao mercado único: recorda-se que antes da MiCA coexistiam registros nacionais apenas para fins de prevenção à lavagem de dinheiro, com critérios diferentes em cada país; a MiCA traz regras iguais e um passaporte para prestar serviços em toda a União Europeia com segurança jurídica.
A visão de uma entidade tradicional: a CECABANK, como entidade fortemente regulada e grande depositante, descreve a MiCA como um mal necessário que traz robustez; seu desafio não é tanto falar com o supervisor (seu dia a dia) quanto coordenar um projeto transversal entre muitas áreas, mais lento que em uma startup.
A visão de uma entidade nativa cripto: a Criptán, menor e mais ágil, relata que escolheu o caminho regulatório desde o início; seu maior desafio é a diferença de velocidade com o regulador e conciliar um processo longo com o crescimento do negócio.
A visão global: a Crypto.com ressalta a importância da convergência regulatória internacional em um mercado por natureza global, e antecipa um efeito Bruxelas pelo qual a norma europeia inspire a regulação de outros países; também alerta que um padrão exigente demais pode se tornar barreira à inovação.
Uma entidade financeira para todos os efeitos: obter o processo implica assumir obrigações contínuas como Travel Rule, DORA e a prevenção à lavagem de dinheiro no nível de uma entidade financeira, além da avalanche normativa por vir (MiCA 2, staking e outras pendências).
Colaborar para crescer: o painel concorda que superar esses desafios abre oportunidades de colaboração; por exemplo, uma entidade tradicional pode atuar como subcustodiante (com provedores como Fireblocks para custódia e Bit2Me para execução), aportando partes do processo a outras entidades.
Conselhos para enfrentar um processo MiCA: falar a mesma linguagem do regulador, delimitar muito bem os serviços para os quais se pede autorização, apresentar a documentação o mais completa possível, fazer com que toda a organização (negócio, jurídico, compliance, operações e órgãos de governança) reme na mesma direção e preparar-se para um processo exigente, com foco e planos alternativos.
Assista ao painel completo
Assista à gravação completa do painel no canal do YouTube da MERGE, com Criptán, CECABANK e Crypto.com sobre a experiência real da MiCA.
Perguntas frequentes
O que é a MiCA?
É o regulamento europeu de mercados de criptoativos (Markets in Crypto-Assets), que estabelece regras iguais em toda a União Europeia e um passaporte para prestar serviços de criptoativos nos países membros.
A MiCA é uma barreira ou uma vantagem?
Segundo o painel, traz segurança jurídica, confiança e um mercado único, o que favorece a adoção; ao mesmo tempo é uma barreira de entrada, especialmente exigente para empresas pequenas e inovadoras.
Quais obrigações implica além da MiCA?
Tornar-se um provedor regulado acarreta obrigações contínuas como Travel Rule, DORA (resiliência operacional) e a prevenção à lavagem de dinheiro no nível de uma entidade financeira, com normativa em constante evolução.
Que conselhos são dados para enfrentar o processo de autorização?
Falar a linguagem do regulador, delimitar claramente os serviços, apresentar a documentação completa, alinhar toda a organização e apoiar-se em colaborações entre entidades.