MiCA vs Genius Act: Regulação Cripto na UE e nos EUA
GDF, Notabene e FinReg comparam os marcos da UE e dos EUA: stablecoins, Travel Rule, fragmentação, stablecoins multiemissor e equivalência internacional
30min · Gravação completa de 09/10/2025 em CAM Builders Stage. Também disponível no YouTube.
MiCA vs Genius Act: regulação de criptoativos na UE e nos EUA
Visão geral
Em que se parecem e em que diferem as abordagens europeia e norte-americana à regulação de ativos digitais? Neste painel do track jurídico da MERGE Madrid, a GDF (Global Digital Finance), a Notabene e a firma FinReg comparam a MiCA e o Genius Act e discutem como fazer negócio dos dois lados do Atlântico.
O que você aprenderá
- A estrutura da MiCA: seus três blocos (tipos de criptoativos, emissores e provedores de serviços)
- MiCA vs Genius Act: como a Europa divide as stablecoins (EMTs e ARTs) frente ao enfoque dos EUA centrado em stablecoins de pagamento
- Competitividade e fragmentação: a vantagem da clareza regulatória europeia e o desafio de 27 estados e supervisores
- TradFi vs nativo cripto: por que para a banca é mais fácil se adaptar à MiCA do que para as firmas nativas cripto
- Travel Rule: diferenças de implementação entre Reino Unido, UE e EUA, e o papel da FATF
- Stablecoins multiemissor e equivalência: o debate do BCE e os caminhos de equivalência internacional
Resumo da sessão
Como é a MiCA: explica-se que a MiCA se divide em três blocos —os tipos de criptoativos (incluindo as stablecoins, separadas em e-money tokens e asset-referenced tokens), as regras e licenças para emissores, e as licenças e normas de conduta para os provedores de serviços—, frente a um Genius Act mais centrado nas stablecoins como meio de pagamento.
Competitividade europeia: defende-se que a UE deu um passo ousado ao ser pioneira com um regime integral, o que lhe dá liderança e clareza regulatória; a contrapartida é a dificuldade de uma posição unificada entre 27 estados, frente a uma postura norte-americana mais unitária.
Momentos diferentes do ciclo: recorda-se que o Genius Act é muito recente e ainda não está em vigor nem desenvolvido em normas, por isso os EUA vivem agora o entusiasmo da clareza regulatória enquanto a Europa enfrenta os desafios de operacionalizar a MiCA.
Experiência com as licenças: relata-se que muitas firmas (nativas cripto e também banca tradicional, com um regime mais simples de notificação) estão solicitando licenças MiCA; para a banca é mais fácil por sua experiência regulatória (a MiCA como “irmã mais nova” da MiFID), enquanto para as firmas nativas cripto custa mais.
Travel Rule: compara-se a implementação no Reino Unido (muito coordenada, com a indústria definindo as diretrizes por meio do JMLSG) com a da UE (mais fragmentada, 27 supervisores, sem autoridade designada em alguns países no início), com dados de adoção muito diferentes entre ambos.
Convergência internacional: aborda-se o debate das stablecoins multiemissor (como a USDC) e a pressão do BCE para limitá-las apesar de não estarem proibidas na MiCA; comparam-se os caminhos de equivalência (o Genius Act oferece uma rota para stablecoins estrangeiras) e mencionam-se os padrões da FATF (recomendação 16) e as regras de Basileia sobre a exposição dos bancos a criptoativos.
Assista ao painel completo
Assista à gravação completa do painel no canal do YouTube da MERGE, com GDF, Notabene e FinReg sobre a regulação de criptoativos na UE e nos EUA.
Perguntas frequentes
Em que a MiCA e o Genius Act diferem?
A MiCA é um marco integral que regula vários tipos de criptoativos e divide as stablecoins em e-money tokens e asset-referenced tokens; o Genius Act foca sobretudo nas stablecoins como meio de pagamento, sem essa divisão.
A regulação europeia é uma barreira à competitividade?
Segundo o painel, a clareza regulatória da MiCA é um facilitador de negócio mais do que um freio; o principal desafio é a fragmentação entre os 27 estados membros e seus supervisores.
O que é a Travel Rule e por que difere entre regiões?
É a obrigação de transmitir informação do ordenante e do beneficiário nas transferências; sua implementação varia por jurisdição (limiares, supervisão, prazos), embora parta de padrões comuns da FATF.
O que são stablecoins multiemissor?
São stablecoins emitidas por entidades em mais de uma jurisdição (por exemplo, a USDC); seu tratamento na UE está em debate pela postura do BCE, apesar de não estarem proibidas na MiCA.
Andrew Whitworth
Co- Academic Director of the MFT (Master in Financial Technology) em Global Digital Finance